Naquela noite, a deusa Alva entrou pela janela, que o poeta deixava entreaberta para respirar a brisa marinha e deixar-se embalar pelas ondas que se espreguiçavam na praia.
O corpo nu do poeta saboreava a tranquilidade de uns lençóis cor de neve e as suas pálpebras cerradas escondiam os seus olhos celestiais.
A deusa Alva aproximou-se e regou calorosamente o seu príncipe de beijos, inundou-o de carícias, mergulhou-o nas ondas do prazer e deixou a sua mente deambular na barcaça dos sonhos.
Depois pegou no búzio que a olhava espantado da mesinha-de-cabeceira, ouviu as ondas longínquas e encheu-o de poemas de amor, que se soltavam das pérolas do cinto mágico que trazia à cintura, ao sabor de leves movimentos, e aromatizavam o ar.
Antes de desaparecer, olhou para trás, estendeu as suas mãos multifloridas e perfumadas, deixou-as dançar, tocarem nos cabelos tentadores e perderem-se no corpo do poeta, tirou uma flauta do peito, tocou uma melodia de amor e deixou-o mergulhado na sua doce essência.
(continua)
