Adorava contemplá-lo na sua azáfama apressada, ritmica e constante, embora me entristecesse assistir à desmontagem da fugaz exposição do pescado, ordenado geometricamente por espécies sobre a areia prateada.
O meu coração saltava de alegria quando, por vezes, o chamava cá do alto e ele me respondia, acenando-me sem parar, mas sobretudo quando já tinha passado a hora do almoço e eu corria ágil e leve à frente da minha mãezinha com uma “buchinha” e fruta para lhe oferecer – que delicioso abraço que ele me dava com os seus braços de gigante protector e que ternura embaladora sussurrava ao meu ouvido: “minha passarinha!”
Mas apressava-se a despedir-se, pois tinha de continuar a trabalhar e especialmente por que a ribeira, gruta magicamente colorida para os meus olhos e curiosidade de criança, apesar de não perceber, nem conhecer algumas palavras que os homens trocavam entre si, não era lugar para meninas!… – e aquelas senhoras que lá estavam a ajudar?!…
(continua)

Quero mais!!! Muito mais
… eu também!