Carta para o Simão (continuação)

S. Torpes, 25 de Setembro de 2008 (7h 28m)

Querido Simão,

Ontem à tardinha aproveitei o sono da brisa e dei um passeio pela nossa terra, por aquelas ruas recônditas onde não se encontra ninguém, saboreando recordações, reencontrando-me com o Al Beto, à medida que me aproximava da sua casa, oposta a Santa Catarina, seu berço.

A baía está mais azul, porque os homens mudaram as cores dos barcos e estes já não se diferenciam dos de Setúbal – que pena! -, e o mar, parado como um lago, escondeu o verde e vestiu-se de cinzento.

Vamos continuar a nossa conversa de anteontem?

Recordo-me da tua solidão de menino a passeares os teus caracolinhos pela casa, a fixares os teus olhos risonhos e confiantes no écran da televisão, mas também das descrições orgulhosas da tua mãe sobre os teus preparativos para o Natal, de me mostar o pinheirinho decorado por ti, da sua alegria e admiração ao afirmar: “Fez tudo sozinho!” Como tu a surpeendias com a tua paciência e com a tua imaginação!

E quanto foi importante para o teu crescimento fazeres de conta, reconheceres o teu mérito de menino bem comportado e bom aluno, começares a construir os teus próprios alicerces!

[Desculpa, Simão, mas tenho de dar-te um beijinho apressado. Até já!]

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