A Mocidade Portuguesa era uma organização nacional da juventude, que os meus olhos curiosos e atónitos espreitavam ao longe, impressionados com os uniformes, principalmente, com as boinas, porque o mar só conhecia as dos pescadores, cor de noite escura de Inverno, o rigor dos passos, o autoritarismos dos “comandantes” e a soberda da mocidade, que nem reparava na simplicidade civil dos rapazes com remendos nos joelhos das calças coçadas, nem nas meninas da terra, onde montavam o acampamento e vinham a banhos, nem nos lindos bibes bordados pelas mãos douradas de amor da minha mãe, relatando as histórias, que líamos nos livros parcos de desenhos e ricos em vocabulário, que uma Sr.ª alta, forte e desembaraçada nos vendia como troféus!

Gostaria de comentar, mas não me considero uma pessoa livre. Ou melhor, apenas sou livre de dizer mal do passado e bem do presente. Mas, mesmo assim, posso acrescentar que a Mocidade foi aquilo que disse e muito mais que não disse.
Jorge
Obrigada pelo que disse. Fico a aguardar o que, como ser livre, não disse.