Regresso

8/02/12

Um pequeno largo, uma miniatura de um santuário sem peregrinos com uma imagem de Nossa Senhora do Monte reproduzida em azulejos – construída em 1772 e reconstruída em 1874 -, um chafariz ressequido, um tanque com água transparente reflectindo ténues imagens num dia de feira, movimentado de gente sorridente e prazenteira, de animais, que se saciavam sofregamente depois de terem percorrido a planície escaldante, espectáculo que dilatava os olhos curiosos de uma menina, habituados a cruzarem-se todos os dias com os do mar.

A Nossa Senhora continua a abençoar silenciosamente quem passa; os azulejos denotam o decorrer do tempo; os bancos de pedra não conhecem as calças de ganga, mas recordam o Manuel da Fonseca; os motores das latas dominadoras dos homens poluem o ar quebrando o silêncio e apagando o cheiro longínquo dos animais no bebedouro …

Sabe bem estar aqui neste pedacinho de mundo esquecido e sentir o frio desta manhã ferindo os lábios, que o jardim florido do coração amorna!

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