O mar e o céu fundem-se num cinzento sombrio, as nuvem gigantes correm à frente do vento, deixando para trás, numa choradeira, as mais pequenas e indefesas, enquanto ele se diverte num vaivém, mascarando-se com as roupas que esperavam o sol nos estendais, empurrando um mendigo que transporta um saco às costas e atirando-lhe areia das dunas para o rosto.
Ao longe, ouve-se o som rouco e repetitivo de um barco a pedir ajuda.
Um pescador assiste paralisado a este espectáculo abrigado no seu casaco de oleado e nas suas botas de borracha.
Num impulso, entra num casebre, pega numas lanternas e corre para os recifes para avisar a tripulação com sinais de luzes e com a sua própria voz para que não colidam com os rochedos.
As crianças acordam os cães, e o Bolinha corre atrás do dono, ajudando-o com os seus latidos aflitos ao longo da costa até ao porto.
Esta azáfama demora algumas horas e quando finalmente a aurora começa a acordar, o vento e o mar, vencidos pelo cansaço, adormecem.
O pescador e o amigo regressam a casa molhados, mas satisfeitos por terem conseguido salvar aqueles homens!