O mancebo cambaleou entontecido e encostou-se à parece a arfar. Estendeu a mão e pediu-lhe as chaves, ao que a D. Pimpona respondeu:
– Vem aqui buscá-las! Estão no leito, debaixo do colchão. Achas que és capaz de as encontrar?
– Seria, se a “madama” se afastasse – retorquiu o jovem.
– “Madama”?!… Com quem pensas que estás a falar, reles mancebo?
– Eu sou Condessa. Condessa, ouviste? – respondeu a D. Pimpona de dedo no ar.
– Sim senhora, D. Condensa – corrigiu o jovem.
– O quê? Condensa? Estás a gozar comigo? – gritou a D. Pimpona toda vermelha.
– Perdão, perdão, minha senhora D. “Madama”… – replicou, aflito.
– Senhora D. Condessa de Bem-Falante e Sabe Tudo, assim é que tens de tratar-me – ordenou a D. Pimpona.
– D. Sr.ª Condensa de Altifalante e Entrudo – adiantou o jovem, confuso.
– Bem, bem, vai-te embora, porque já vi que não serves para nada! Chama a criadagem para me ajudar.
Decorrido algum tempo, chegaram: uma elegante jovem, sardenta e sorridente e uma senhora obesa, rosada e desconfiada.