A D. Pimpona deambulava pelos longos, escuros e inóspitos corredores, rindo-se de todos.
A brigada transpirava por todos os poros, impregnando os espaços de uma fragrância que se propagava e causava espirros às donas – se ali houvesse crianças, o cenário seria ilustrado com caretas jocosas e salpicado com piadas risonhas.
Um jovem garboso aproximou-se da D. Pimpona e pedindo-lhe permissão para penetrar no seu aposento.
A D. Pimpona mediu-o de alto a baixo, despiu-o com o olhar, ficou com o pêlo no ar como uma gata assanhada e esboçou-lhe um sorriso maliciosamente sedutor. Piscou-lhe o olho, chamou-o com o polegar e penetrou à sua frente no comportamento.
Agarrou-o, puxou-o contra o peito e quase o asfixiou com um beijo quente e arrebatador.
Afastou-o de si num ímpeto, apontou para um conjunto de arcas e disse-lhe autoritariamente:
- Abre-as! Tira os haveres que encontrares no seu interior e coloca-os nas prateleiras de alvenaria e nas gavetas da cómoda gigante!